PHS - Partido Humanista da Solidariedade
 

 

“Discurso proferido pelo Presidente do PHS em almoço com os candidatos do Partido a Deputado Distrital e Federal e dos Candidatos a Governador e Vice do Distrito Federal no dia 19 de julho de 2010”

 

EU (TAMBÉM) TENHO UM SONHO... (com a permissão do Pastor Dr. Martin Luther King)

 

POLÍTICA é a ciência que transforma o nosso mundo, pois a política abrange o bem estar das pessoas, de TODAS as pessoas. Se a POLÍTICA é mal exercida, o bem-estar das pessoas sofre as consequências. A Política partidária tem por objetivo construir o bem-comum. Quando o objetivo deixa de ser este, os partidos perdem a sua razão de ser. Viram simples ferramentas para alcançar o poder, um poder doravante oco de conteúdo digno.


Ingressei na política partidária no inicio dos anos 90, ao ser convocado para ser um dos operários em uma grande obra; não somente passei a trabalhar na sua construção, mas sempre tive a clareza de que construíamos uma catedral. Passei a fazer parte de um grupo que plantava os alicerces do PHS, fui aluno do Padre Jesuíta Fernando Bastos de Ávila, o grande inpirador, com seu pensamento, seus livros e escritos sobre Ensino Social Cristão. Trabalhei junto com Philippe Guedón, que procurava arrebatar cidadãos e cidadãs com suas palestras. Em Brasilia, inicialmente, éramos somente 4 abnegados; destes, restam hoje apenas 2. Mas as sementes vingaram, e em Brasilia já somos milhares. Exerci a presidencia regional do DF desde a sua formação até o ano de 1999.


Desde a montagem da Comissão Nacional Provisória, lá pelos idos de 1995, sou o único filiado que, oficialmente, continua fazendo parte da CEN. O meu primeiro encargo foi o de 3º suplente (último cargo na hierarquia...). Eu queria ser operário nessa obra, o cargo não importava, como ainda hoje não importa.


Em 1999 deixei de ser dirigente regional e passei a exercer a Presidência Nacional, cargo em que fiquei até 2003, passando a Vice Presidente; retornei à Presidência em 2005, e por ela responderei até maio de 2013. Então, republicana e estatutariamente, passarei o cargo ao meu sucessor. Passei a dedicar todo o meu tempo a dirigir o PHS, deixando de exercer qualquer outra missão. A bem da verdade, mesmo se eu não quisesse fazê-lo, as responsabilidades do cargo me requisitariam por completo, do mesmo jeito...

Em 1998 com pouco mais de 20.000 filiados espalhados pelo Brasil lançamos para Presidente da Republica o companheiro e Professor Vasco Neto, companheiro que já tinha exercido 3 mandatos de Deputado Federal pela Bahia, hoje com mais de 90 anos de idade. Foi uma epopéia inesquecível. 

Passou o tempo. A verticalização implantada nas eleições, impediu-nos de lançar candidato a Presidência, pois prejudicaríamos totalmente a montagem de chapas regionais. Ao final de 2008, sinalizado que, provavelmente, não teríamos a fatídica verticalização, conversei com um companheiro sobre a hipótese de ele se lançar à campanha Presidencial se o PHS viesse a pensar em lançar candidatura.  Ainda no final do ano de 2008, realizamos uma reunião em Petrópolis, nosso berço, onde estavam presentes eu, PhG, Oscar e Paulo de Tarso (Ceará). Apresentei a idéia a todos e disse que caso não houvesse verticalização o Oscar Silva aceitaria sair candidato a Presidente da Republica pelo PHS. Todos aclamaram a idéia, lembrando que deveria ser ratificada por um Plebiscito o PHS é complicado e acredita que não basta ser paladino da Participação, tem que praticá-la – o que foi feito em março de 2009. A "voz rouca" do PHS determinou por aprovação superior a 80%que, não havendo verticalização, teríamos candidato Presidencial e que esse candidato seria Oscar Silva. Víamos na candidatura a oportunidade de melhor projetar a imagem do PHS ao eleitorado brasileiro, através de um perfil identificado com nossa corrente de pensamento. E estaríamos reforçando todas as nossas candidaturas, em todos os Estados e no DF. Só para que tenhamos noção perfeita do que era o trabalho, foi aprovado como orçamento da campanha presidencial a quantia de R$ 200 mil, que depois foram corrigidos para R$ 500 mil. Seríamos todos voluntários para desenvolvermos a melhor campanha pé-no-chão, defendendo nossos valores e nosso Programa, debatido por mais de duzentos delegados em Caxambu/MG em setembro de 2009. 

 

O tempo foi passando, viajamos Oscar e eu praticamente o Brasil todo; foram pouquíssimos os lugares onde não comparecemos (salvo falha de memória, apenas três Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina). Conheci o local onde nasceu Oscar, lá no interior do Maranhão. Onde chegávamos, era meu objetivo  procurar sempre potencializar a presença de Oscar, fazendo com que ele desse entrevista em todos os jornais e rádios possíveis, como pré-candidato; procurava sempre ficar na retaguarda. O Presidente do PHS era, como tinha que ser, o primeiro engajado na campanha, o primeiro dentre os militantes. A estrela era, como também tinha de ser, o nosso pré-Candidato a Presidente da República.  

 

Defendi, junto à CEN, que o ultimo programa de televisão e rádio do PHS antes das eleições (o do 1º semestre de 2010) fosse usado praticamente todo para apresentar ao Brasil a figura de nosso Oscar, que, pela vontade plebiscitária de 103.000 filiados do PHS, viria a ser referendado na Convenção a ser realizada entre 10 e 30 de junho.  

 

Exatamente 24 horas antes do encerramento do prazo de realização das Convenções, o TSE, respondendo a uma pergunta formulada por um partido, definiu que nas UF onde fossem formadas coligações integrando mais de um partido com candidato a Presidente da República, aquela coligação ficaria impedida de usar  a imagem e voz dos referidos candidatos a Presidente da República de qualquer uma delas. O PHS nada teria a opor à interpretação, se ela fosse dada antes do dia 10 de junho, quando foi tornado público o pensamento do TSE, pois já havíamos montado 27 estratégias de acordo com as regras do jogo então vigentes. A decisão do Sr. Presidente do TSE, adotada 36 horas depois, em verdade não corrigiu o dramático efeito da intempestividade; simplesmente adiou a decisão, deixando a todos os Partidos e candidatos debaixo da espada de Dâmocles. A postura da Côrte levou imediatamente o PT e o PSDB  a suspenderem coligações com Partidos que teriam candidatos presidenciais. De uma hora para outra, o PHS se encontrava diante do dilema: ou mantinha a sua candidatura a Presidente, lançada em função do quadro legal da época, e sacrificava numerosos arranjos estaduais; ou, como alternativa, sacrificava a sua candidatura presidencial, honrando a palavra empenhada pelas diversas Regionais. Dilema, no nosso entendimento, profundamente injusto, mas que devia ser desatado em questão de dias, quase que de horas. To be or not to be... Ser ou não ser...

 

Novamente, recorri à Participação. Imediatamente, fiz consulta a todos os dirigentes da CEN, dos Conselhos de Ética e Fiscal e Presidentes de Regionais: deveríamos permanecer ou não com a candidatura a Presidente da República? Com excessao de dois Estados, as demais UF preferiam seguir o Plebiscito: queríamos Candidato a Presidente, SE não houvesse verticalização. Com a volta possível, quem sabe provável, da verticalização, era interesse do PHS abrir mão desse sonho. 

 

 

No dia 3 de julho, a partir das 11 horas da manhã, reuni a CEN e os dirigentes estaduais que puderam comparecer a Brasília. Foi a mais dura, a mais desgastante reunião que tive de presidir. Depois de cerca de 4 horas de intensa agonia, com a ativa presença de 15 companheiros, concluímos pela opção da renúncia consensual de nossos Candidatos a Presidente e a Vice-Presidente (nosso Companheiro da Paraíba Julio Viana). Lágrimas nos olhos, muita tristeza, muita vontade de batalhar para que cessemos de mudar o entendimento do quadro legal após a véspera do primeiro dia das Convenções eleitorais (pelo menos

 Gostaria de registrar que foi dura a decisão de abrir mão da candidatura a Presidência da República pelo PHS, mas não poderia deixar de registrar que não podemos examinar somente um lado da moeda – o lado das perdas – pois graças ao PHS o companheiro OSCAR SILVA, hoje é um homem conhecido nacionalmente, tendo viajado Brasil afora, estando presente nos diversos veículos de comunicação – jornais, revistas, televisão, etc. em quase todos os estados da federação – ressalto, o programa do PHS de abril deste ano, quando, praticamente, todo o tempo foi a ele reservado.

Em cerca de 72 horas participei de grandes decepções como dirigente partidário. Tenham certeza de uma coisa, já enfrentei grandes embates no PHS, agregação de companheiros (1999), fusão e marcha-a-ré na fusão (2006), porém nada se comparou aos episódios iniciados em 29 de junho e encerrados com as providências de 5 de julho. Que dias! Os adeptos da medicina psicossomática diriam que o acesso de gota que me assaltou no dia 6 e, graças a Deus, está me deixando agora, foi causado pelo stress desses dias terríveis quando as nossas esperanças e nossas ilusões nos foram arrebatadas. 

 
A batalha continua. Já me engajei, embora manco de dar dó, em  todas as eleições regionais do PHS nas 27 UFs e mais particularmente aqui no DF, meu domicilio dos últimos 30 anos de vida. Aqui cheguei em janeiro de 1980. Estamos coligados na majoritária com outros 10 partidos e na proporcional estamos coligado com o PPS para Deputado Distrital e marchamos sozinhos na chapa de Deputado Federal.

Para encerrar, lembro que nos anos 80 foi fundado o PT. Ainda naqueles primórdios, publicou-se o livro "O Modo Petista de Governar", coordenado pelo hoje Deputado Jorge Bittar. Grande parte de sua militância já o esqueceu, nós do PHS não.. No ano de  2008 o PHS editou e mandou para todas as suas regionais "O Modo PHS de Governar", citando a fonte de inspiração, ética e fraternalmente. Gostaria, Agnelo e Filipelli, deixar registrado aqui que o Sonho não acabou, a forma evoluiu, porém os valores e os conceitos da POLÍTICA ÉTICA E VISANDO AO BEM-COMUM  continuam nosso norte.  O grande vitorioso nas urnas de 2010 no Distrito Federal tem de ser o POVO desta cidade e o próximo governo trará, sob forma de PARTICIPAÇÃO, todo este povo maravilhoso do DF para governar JUNTO e verdadeiramente esta cidade.

NAO DEIXEMOS O SONHO ACABAR, QUE ELE SEJA RENOVADO EM CADA MOMENTO DE NOSSA VIDA E QUE GOVERNEMOS O DISTRITO FEDERAL COM ESTE POVO MARAVILHOSO PARTICIPANDO, como lembra o parágrafo único do Artigo 1º de nossa CF, do qual só cito as primeiras palavras, pois todos aqui o conhecem de cor: "Todo o Poder emana do Povo..."

 

Muito obrigado.